A requalificação da Afonso Pena já foi paga com R$ 23 milhões de dinheiro público, mas o prefeito quer mutilar o projeto original. A sociedade civil não vai aceitar o desperdício: com a força de 13.963 cidadãos, protocolamos uma denúncia formal no TCE-MG para obrigar a Prefeitura a concluir a obra por inteiro. Acompanhe a fiscalização e exija:




A requalificação da Avenida Afonso Pena é fruto de anos de planejamento urbano. Prevista no Plano Diretor e no Plano de Mobilidade de Belo Horizonte (PlanMob-BH), a obra inclui a implantação da ciclovia entre a Praça da Bandeira e a Rodoviária, melhorias de acessibilidade nas calçadas e faixas exclusivas para ônibus. Tudo isso debatido com a sociedade, aprovado pela Câmara Municipal e com orçamento garantido. O dinheiro existe. O projeto é lei. A execução é, portanto, um dever!

Mas Belo Horizonte vive uma situação absurda: o contrato foi oficialmente encerrado e quase 90% do valor estimado já saiu dos cofres públicos, mas o projeto foi deixado incompleto. Pior: o prefeito Álvaro Damião usou a máquina pública para desmontar parte do que já havia sido construído — uma intervenção que ele mesmo, enquanto vereador, ajudou a aprovar.

Ao destruir estruturas prontas, a gestão joga no lixo recursos públicos, anos de planejamento e a segurança viária da avenida que mais atropela pessoas em BH. Essa postura desrespeita o dinheiro do contribuinte e o trabalho de quem ajudou a construir a política urbana de Belo Horizonte, honrando o legado da urbanista Eveline Trevisan, que dedicou sua trajetória a planejar uma cidade mais humana.
A Justiça já decidiu: a obra é legal e necessária. Diante da recusa da prefeitura em entregar o projeto que a cidade contratou, a sociedade civil se uniu. No dia 3 de julho de 2026, levamos a força de 13.963 belo-horizontinos direto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG). Protocolamos uma denúncia formal para que o órgão fiscalizador intervenha e emita uma ordem legal forçando o Executivo a cumprir o escopo integral do projeto.

A nossa petição foi entregue, mas a luta não acabou. Agora, cobramos agilidade do Tribunal e total transparência sobre as contas da avenida. Continuaremos mobilizados vigiando cada passo da administração municipal. Vamos mostrar que Belo Horizonte não aceita desperdício nem hipocrisia!


Tá pago? Executa, Damião!







Afonso Pena para as Pessoas: Mobilidade, Segurança e Acessibilidade Já
A requalificação da Avenida Afonso Pena, entre a Praça da Bandeira e a Rodoviária, foi pensada para devolver a cidade às pessoas e não para continuar priorizando carros. O projeto cria um corredor de mobilidade integrado, com ciclovia central protegida, faixas exclusivas para ônibus e passeios acessíveis e seguros.
Estamos falando de uma avenida onde ciclistas, pedestres, pessoas com deficiência e idosos possam circular com dignidade, autonomia e segurança. Rampas, pisos táteis e ilhas de refúgio não são “detalhes”: são direitos básicos de acessibilidade.
Interromper ou desmontar essa obra significa manter Belo Horizonte presa a um modelo ultrapassado de cidade excludente, perigosa e congestionada.



Dinheiro Público Não Pode Virar Entulho
A requalificação da Avenida Afonso Pena já consumiu mais de R$ 27 milhões em recursos públicos. Só recentemente, cerca de R$ 2,3 milhões foram destinados a revisões de projeto, paisagismo e melhorias de acessibilidade.
Esse dinheiro saiu do bolso da população e precisa resultar em obra entregue, funcionando e beneficiando a cidade.
Defendero abandono da infraestrutura já construída é aceitar que milhões sejam desperdiçados ao deixar inacabado algo que já foi pago pela população. transformar investimento público em entulho.
A cidade não aguenta mais obras intermináveis, improviso e desperdício. O que Belo Horizonte precisa é de compromisso com a conclusão da obra e respeito ao dinheiro público.




A Justiça Já Decidiu: Não Existe Desculpa para Paralisar a Obra
A obra da Afonso Pena foi questionada judicialmente pelo Ministério Público, mas a própria Justiça confirmou a legalidade e a validade do projeto.
Em setembro de 2025, o juiz Danilo Bicalho, da 3ª Vara de Feitos da Fazenda Pública Municipal, rejeitou os pedidos da ação e reconheceu que a ciclovia e as intervenções são respaldadas por estudos técnicos e planejamento urbano.
Ou seja: não existe impedimento jurídico para a prefeitura concluir a obra.
Continuar atrasando ou ameaçando desmontar a intervenção é uma decisão política e a população tem o direito de cobrar responsabilidade, transparência e entrega.




Dados Reais: O Impacto no Pedal (Ciclo Rota BH) Levantamentos realizados pelo perfil Ciclo Rota BH desmistificam a ideia de que a avenida não tem demanda. Monitoramentos de vídeo feitos pelo ativista Cristiano Scarpelli estimaram que mais de 1.000 ciclistas já circulam diariamente pela Afonso Pena, mesmo sem a infraestrutura completa. Experiências em outras vias de BH, como a ciclovia da Augusto de Lima, mostram que o fluxo de bicicletas chega a triplicar em apenas um ano após a entrega da obra. A população já demonstrou que quer pedalar. Agora cabe ao poder público garantir segurança, continuidade da rede cicloviária e uma cidade mais humana. A Afonso Pena é o "eixo espigão" da cidade; sua conclusão é o que falta para conectar toda a rede cicloviária da capital, retirando ciclistas do conflito direto com os carros e organizando o fluxo viário.





Por Eveline Trevisan: o legado de luta da arquiteta que desenhou o futuro ouvindo as ruas

Eveline Trevisan não era apenas uma servidora pública; ela era a alma técnica da mobilidade ativa em Belo Horizonte. Arquiteta e urbanista de formação, Eveline partiu em março de 2026 deixando um legado de diálogo e rigor técnico. Como servidora da BHTrans e uma das mentes por trás do PlanMob-BH, ela tinha uma habilidade rara: traduzir as demandas dos movimentos sociais em projetos viáveis e transformadores.

Cicloativista contumaz, ela acreditava que a rua deveria pertencer às pessoas, não apenas às máquinas. Eveline lutou até seus últimos dias para que a ciclovia da Afonso Pena saísse do papel, defendendo-a não como um capricho, mas como uma reparação histórica para a segurança de quem pedala. O obituário da Folha de S.Paulo a descreveu como a mulher que transformou as ruas ouvindo a população — e é essa escuta que a campanha busca honrar. Manter a Afonso Pena parada é tentar silenciar uma das vozes que mais amou e pensou Belo Horizonte. Retomar as obras é o único caminho para que o sonho de Eveline — de uma cidade mais justa e democrática — permaneça vivo e concreto sob nossos pés e rodas.